domingo, 13 de outubro de 2013


Para Adriana.
Uma típica mulher de fases.
Pernambucana. 
Perdida em si mesma.
E que achou que era a Colombina de um Pierrot que nunca tiraria a sua máscara.
Sempre fora bela, mesmo sem o saber ser, muito rica daquela beleza que incomoda de tao pura, pele branca, olho claro, cabelo sempre vermelho, por opção, não por natureza, corpo esguio, alma de guerreira, aventureira, sonhadora, apaixonada pelo amor.

Sua História...

Lembro o dia em que me dei conta dela, a sorrir assim, meio amarela, tal como uma desesperada que necessita de ajuda, mesmo sem nunca o admitir , estava assim extasiada e de pessoas rodeada, era uma equilibrista em sua dor... e ao me dar conta dela, também me dei conta um tanto de mim...
Na época, estava ela, com os dois mundos a brigar.... com o mundo que era dela e também com o mundo do sonhar, era pleno carnaval.... 

E ela, a Colombina apaixonada, a suspirar estava, assim por um Pierrot, muito estabanado, esquecido, avoado.... e também um bocado malvado... e ela que era ainda um pouco menina, e um tanto perdida, se encontrou naquele amor com data marcada para terminar em uma quarta-feira de cinzas, que de cinzenta nao teve nada, e o amor de teimoso que estava, decidiu esperar o sábado do bacalhau, para quem sabe assim se colocar um ponto final, mas que nada, entre os desatinos dos momentos que não deveriam se repetir, decidiu , arduamente e muito eficiente, ficar e esperar um próximo fevereiro, ou marco, ou tavez dezembro....


Ahhhh o desengano disfarçado de amor.


Enquanto isso a Colombina se perdia de e em afetos.


Pierrot , mesmo sem saber o que fazer da vida, que (por maldade ou sabedoria) esquecera de dizer que tinha, e quando de certo o fim do carnaval chegasse e a hora de tirar a sua máscara apontasse, não estava de fato preocupado se a Colombina choraria.


E a menina Colombina, Adriana, hoje Profana, fez de conta que não ouviu, quando alguns argumentos insanos de um pierrot guloso, que jamais se contentou em comer feijao e arroz todo dia, pulavam fantasiados de agonia em frente aos seus olhos estupefatos.... e por desvario da mente, que por amor se passou, mesmo que indignada, consentiu em perdoar o pierrot.


Coitadinha da Colombina, agora será apenas mais uma Joaquina entre tantas outras inas que por pierrot já tinham passado, esqueceu-se de suas tantas sinas e acabou acreditando em um Pierrot muito mal intencionado.


E por assim estar vivendo, entre o real e o inimaginável pensou a Colombina ter o mundo em suas mãos, e esse mundo estabanado, resumia-se, em um rosto mascarado.... Ahhh e de nada adiantava os tantos conselhos dados, com eles, ela trançava colchas, para embalar o seu amado.


Mas o destino é sorrateiro, e neste caso, jamais seria bondoso, um dia, amargamente, resolveu dar uma sacudidela em Colombina, e por maldade ou pena, combinou com o vento e também com o tempo, juntos apresentaram a face da dor à menina....


E foi assim que aconteceu, em um setembro que nada tinha de especial, ou de fevereiro, Colombina achou de levantar mais cedo, por que o vento fazia frio no seu quintal, e resolveu se dar conta de Pierrot.... e foi assim, junto com o tempo, que o vento sutilmente ao seu ouvido sussurrou "shiiii..Ahhh Colombina, menina, por que tu não vais ao quardo da frente, ó demente...." e a menina como que simplesmente sacudida fora por um repente, se viu de pé no quarto da frente.... 


Então aconteceu... E teve fim o seu carnaval de desvarios.


Pierrot estava a abraçar uma outra colombina, Simmm, que não era a menina, que tavez tivesse também serpentinas.... mas definitivamente, aquela não era colombina...era uma outra talvez menina, uma que lá na casa da colombina, ajuda fora buscar, e a Colombina de bondosa acolheu a tal senhora que agora estava a lhe apunhalar.


Colombina atarrentada , não pode nem a porta abrir, vislumbrou a terrivel cena, e recuou em seu sorriso de açucena a sua dor de muitas penas.


Fechou a porta a Colombina, e ficou sentada, estatalada, vendo o vento e o tempo gargalhar. Inebriados de maldade, revestida de amor a verdade.


A máscara quebrara enfim...., Tantas eram as suas dores que a menina se partiu em tres.
E calaram os seu sorrisos, mas buscou num improviso, suas forças para lutar.


E de maluca que ela era, esperou o Pierrot, que estava mascarado de mentiras, armada com sua dor de Colombina ofendida.


E piorrot estava também aturdido, pois foi pego de improviso, jurou que colombina, agora estava a delirar.


E Colombina entao sorriu, foi ai que entendeu, e que pela primeira vez, viu de fato o seu Pierrot desmascarado, e deu o seu adeus sentido, comovido e muito doído... Ele quase nem ouviu.

O que eu sei é que ele, o Pierrot nunca mais a viu...

Então passou o tempo, muitos anos e eu reencontrei a menina, que agora nao é mais a Colombina de um carnaval que já passou... Esta feliz, é fato, grávida de uma Bailarina, casada e amante do amor. olhei bem nos olhos dela, e ainda vi aquela sombra da dor. 


Perguntei, mas ó menina, por que é que ainda choras o que passou,??? e ela que foi a dona da alegria, e aposentou a colombina num vestígio de sorriso, respondeu-me sem querer calar, é que noticias o Pierrot cisma em me mandar..


Mas eu , de incredula que estava, perguntei em tom demente, alma cheia em desabor,....Colombina que loucura, acaso, sob tortura, estas a pensar no Pierrot? ??? e ela me disse, assim meio que triste, que nao é isso que se sucede. E explicou-me em verso que pierrot, quer agora se passar de doutor, e que depois de vender sua a alma o diabo, quer resgatar o seu amor....


E eu fico estarrecida, ate mesmo constrangida, esperando as respostas da Colombina, e pensando, meu Deus, que sina....Coitada dessa menina...

E então me diz ela por entre os dentes, ate meio violentamente, com aquele olhar que so ela tem... que pode o Pierrot , até com o mar em verso, querer lhe presentear, que dele jamais ela deseja algo saber, ou ter.... Logo agora que encontrou o pouso, o teto, e o braço forte, onde cala as dores e dorme... Quer o Diabo voltar a lhe tentar???? Grita não sem verso ou trova, mas com toda alma, pois agora ja cresceu.


Pobre dele, quem ri sou eu, pois nao sabe, que agora a Colombina, nao vive mais a sonhar, agora a menina é o sonho de um alguém, que de surpresa tinha entrado na estoria do convém.


Suspirei aliviada, a Colombina esta curada , tudo é so uma piada, uma risada , mesmo que triste, nesse mundo de vai e vem.

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